08/09/2011

COMO ENTENDER MONTILLO FORA DA SELEÇÃO ARGENTINA?

Foto/crédito: Divulgação
Meia-atacante do Cruzeiro come a bola no Brasileirão, mas não é lembrado em seu país.

Não é de hoje que o meio-campista Walter Montillo, 27 anos, é um dos melhores jogadores do Brasil. Desde o último ano, quando se destacou no primeiro semestre atuando pela Universidad do Chile na Libertadores da América, o hermano chamou a atenção e foi contratado pelo time azul de Belo Horizonte.
A partir daquele momento passou a fazer história e foi eleito o melhor meia-direita do Campeonato Brasileiro 2010.
No meu entender, pelo futebol que vem mostrando a cada rodada, Montillo teria lugar em qualquer seleção do mundo. Mas não para Alejandro Sabella, treinador da seleção argentina e muito menos por seus antecessores no cargo, Batista e Maradona.

Nada contra jogadores convocados para o último jogo de nossos vizinhos, o amistoso contra a Nigéria. Nada contra Messi (muito pelo contrário), nem contra Di María ou José Sosa (este último até tenho um pouco contra. Joga no explêndido futebol ucraniano, no Metalist, time de Cleiton Xavier e Taison), mas o cruzeirense não pode ficar fora desse time, que vem sofrendo nas últimas competições oficiais que disputa. Vide a Copa do Mundo da África do Sul, quando caiu de quatro frente aos ótimos alemães e a mais recente Copa América, jogando em casa e dando adeus à competição com um empate com Uruguai no tempo normal, e derrota nos pênaltis.

Foto/crédito: Site do clube
Outro que tem espaço de sobra no selecionado do país vizinho, mas nunca é lembrado, é um meia pouco conhecido no Brasil, mas que foi o melhor jogador do Vélez Sarsfield, semifinalista da última Libertadores, Juan Martínez, de 25 anos. Muito melhor dos que acabaram indo para a Europa nesta janela do meio do ano, Ricardo Alvarez (Internazionale-ITA) e  Maximiliano Moralez (Atalanta-ITA). Joga praticamente na mesma posição de Montillo. Vezes armando a equipe, outras chegando à frente para concluir a gol. Ambas com grande qualidade.

No setor defensivo, Sabella tem problemas (assunto para outro post), mas no meio de campo não podemos dizer o mesmo.

27/07/2011

Com o dinheiro do povo

Carlos Alberto Sardenberg – O Estado de S.Paulo

Mesmo que a abertura da Copa do Mundo de 2014 não aconteça no estádio do Corinthians, o time paulista já está no lucro. E que lucro! Uma arena novinha em folha, totalmente financiada com dinheiro público, parte emprestada, parte dada. Desde já, é o primeiro dono de um belo legado da Copa.
O Corinthians tinha um terreno em Itaquera – doado pela Prefeitura de São Paulo – e um projeto de estádio, para o qual teria de buscar financiamento privado, como, por exemplo, está fazendo o Palmeiras em seu novo Palestra Itália. Ao se tornar estádio da Copa e, possivelmente, do jogo inaugural, depois de arquitetada a desclassificação do Morumbi, o empreendimento corintiano habilitou-se aos financiamentos e incentivos especiais. Mesmo não sendo a sede da abertura, o dinheiro público será providenciado, pois a nova arena permanecerá como única alternativa de jogos em São Paulo.

Eis como ficou o pacote de R$ 820 milhões para a construção de um estádio de 48 mil lugares, com capacidade para ser ampliado para 68 mil:

o BNDES emprestará R$ 400 milhões – isso, claro, não é dinheiro dado, pois o empréstimo terá de ser pago. Mas os juros são subsidiados e as condições gerais, melhores, por ser obra da Copa;

e a Prefeitura de São Paulo concederá um benefício fiscal de R$ 420 milhões. Isso é praticamente dinheiro dado.

A propósito, cabe aqui uma retificação. Tratamos deste assunto em artigos anteriores, salientando, então, que incentivo fiscal não é doar dinheiro. Como isso ocorreria? O empreendimento será administrado por um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) e construído pela Odebrecht. O incentivo tradicional seria cancelar a cobrança dos impostos municipais (IPTU e ISS) sobre as atividades diretas ali, no canteiro de obras. Por exemplo: a subcontratação de pequenas construtoras não pagaria ISS.

Mas será mais do que isso. A Prefeitura emitirá uma espécie de títulos – Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento – e os entregará para o FII responsável pela construção da arena. Esse fundo poderá vender os certificados para empresas que tenham IPTU e ISS a pagar. Assim, contribuintes que pagariam seus impostos em dinheiro para a Prefeitura vão entregar certificados comprados do fundo.

Por que fariam isso? Porque obviamente vão adquirir os certificados com desconto no mercado financeiro. Assim, um certificado com valor de face de R$ 1 milhão pode sair por, digamos, R$ 900 mil. O fundo “corintiano” embolsa os R$ 900 mil, cash, e a outra empresa abate R$ 1 milhão de ISS e IPTU. A Prefeitura recebe os títulos e os cancela. E deixa de receber cash os R$ 420 milhões. Todo o dinheiro fica para o fundo aplicar no estádio. Sem precisar devolver nada.

Isso não cabe na expressão “dinheiro dado”?

Há, ainda, um problema aqui. Construtora e Corinthians dizem que o estádio sairá por R$ 820 milhões, a serem cobertos pelo financiamento do BNDES e pelos certificados da Prefeitura. Mas como estes serão vendidos com desconto, o fundo construtor receberá por eles algo em torno de R$ 375 milhões, supondo um deságio de 10%. Feitas as contas, faltarão uns R$ 45 milhões para os R$ 820 milhões orçados. De onde virá isso?

Além disso, se for confirmada como o palco do jogo de abertura (com a Seleção Brasileira), a arena corintiana vai receber mais investimento público. O governo paulista vai colocar algo entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões para instalar ali os 20 mil lugares provisórios e, assim, chegar aos 68 mil necessários para um “estádio abertura de Copa”. Como dizem diretores do Corinthians: o timão precisa de um estádio de 48 mil lugares; se a Prefeitura e o governo estadual querem a abertura, têm de pagar por isso.

O governador Alckmin sustenta que o investimento é para obter a abertura da Copa, evento que considera muito positivo para melhorar a imagem mundial de São Paulo. O prefeito Kassab bate na mesma tecla. Ambos acrescentam que o evento trará muita gente e muitos negócios para a cidade.

Será? Começa que essa conta é sempre muito duvidosa. Além disso, o caixa do governo é um só. O dinheiro que se gasta com Copa é subtraído de outras áreas e objetivos. Assim, cabe a questão: o que traz mais benefícios duradouros para o contribuinte-pagador, o evento Copa ou metrô, corredores de ônibus, escolas, hospitais, etc.?

Isso vale para todos os governos estaduais e prefeituras de cidades-sede. Todos colocam cada vez mais dinheiro na Copa.

Políticos e governantes fazem isso alegremente, tendo a certeza de que o povo quer a Copa e vai curti-la. Mas não pode ser assim, tão ligeiro. O certo seria ter colocado a questão claramente ao contribuinte. Assim: “Querem a Copa? O.k., mas é cara. Vai custar tantos bilhões de reais, a maior parte disso virá do governo, ou seja, do seu bolso. E esse dinheiro poderia ir para hospitais e escolas. Tudo bem?”.

Não houve debate. Só se pensou naquilo: ganhar a Copa no Maracanã. E muitos governantes garantiram que não colocariam dinheiro em estádios e obras que não fossem permanentes. Agora, estão invertendo as responsabilidades e os compromissos. E nos dizem: “Não queriam a Copa? Então vamos ter de gastar, e rápido, porque já está atrasado”.

Como se não fossem responsáveis por nada disso.

Todos os países gostam de fazer Copas e Olimpíadas. Alguns fizeram bem feito, outros foram muito mal. Estamos indo pelos maus exemplos. Mas quem sabe o debate ajude a salvar a Olimpíada.

E, para piorar tudo, a Seleção não joga bola. Já pensaram, gastar um dinheirão, gastar mal e ainda perder?

14/04/2011

Vitória da eficiência

Manchester United x Chelsea - Jogo da volta pela UEFA Champions League 10/11

RED DEVILS DERRUBAM CHELSEA ( E, TALVEZ, ANCELOTTI)

No confronto entre as maiores forças do futebol inglês dos últimos anos, o equilíbrio imperou desde o início. O Chelsea necessitava da vitória por 1 a 0 para levar a decisão para os pênaltis ou qualquer outro resultado de vitória para avançar às semi finais devido à derrota por 0 a 1 sofrida no jogo de ida, em Londres, válido pelas quartas de final do torneio.

Carlo Ancelotti, manager dos Blues, apostou mais uma vez no maior investimento do dono do time, Roman Abramovich, na temporada e escalou o espanhol Fernando Torres, que vive fase terrível e ainda não marcou um gol sequer pela equipe londrina. Deixando o habitual centroavante titular, Didier Drogba, no banco de reservas.

O JOGO

Jogando com o regulamento "de baixo do braço", o time de Sir Alex Ferguson começou a partida estudando o adversário, porém o Chelsea precisava vencer e saiu para o ataque. Os homens de Ancelotti dominaram a disputa até quase os 35 min, tiveram três oportunidades de marcar com Anelka, depois de bola ajeitada por Torres, outra com o meia Lampard, após boa jogada individual de Malouda pela esquerda de ataque e com o francês Anelka, novamente, em chute da entrada da área que passou rente ao ângulo direito de Van der Sar. Anelka, pela direita e Malouda, pela esquerda, confundiam o sistema defensivo do adversário porque não ficavam jogando abertos o tempo todo. Em vários momentos, fechavam pelo meio e atuavam como armadores ajudando Lampard.

A partir dos 35 min, o Manchester United conseguiu acertar a marcação e começou a tomar as rédeas do confronto. Passou a pressionar e a roubar bolas no setor ofensivo. Com essa pressão, logo chegou ao gol que abriu o placar. O fenômeno Giggs fez boa tabela com Park e cruzou a bola para Chicharito Hernandez, que marcou quase em baixo da trave. E a primeira etapa acabou com domínio dos donos da casa.

No segundo tempo, os Blues vieram ainda mais para cima dos Diabos Vermelhos. Voltaram com tanta vontade, que logo no início, o brasileiro Ramires fez uma falta no campo de ataque e acabou expulso por ter levado o segundo cartão amarelo. Pouco tempo depois, Ancelotti resolver por Drogba em campo.

O atacante entrou no lugar do questionado atacante Fernando "El Niño" Torres. Na primeira bola que recebeu em boas condições o centroavante marfinense igualou o placar. Drogba recebeu belo passe de Essien, matou no peito e virou para fuzilar a bola para o fundo do gol do United. 1 a 1.

A apartir daí, todos esperavam que a pressão do Chelsea em busca da virada fosse acontecer, mas logo na sequência, um minuto depois, o galês Ryan Giggs recebeu a bola de Rooney quase na meia-lua da área do adversário e achou Park entrando pelo lado esquerdo. O sul-coreano recebeu e chutou forte, de canhota, no canto esquerdo de Cech. Manchester 2 a 1.

O time londrino ainda brigou até fim da partida para tentar a virada que lhe daria a classificação, porém o Manchester United conseguiu neutralizar os jogadas ofensivas do rival e só esperou o apito final.

Os vermelhos de Manchester pegam agora o vencedor do confronto Schalke 04 x Internazionale, nas semifinais da Champions League.

Aqui você pode ver os gols da partida: http://espn.estadao.com.br/championsleague/noticia/185924_VIDEO+UNITED+VOLTA+A+FRUSTRAR+SONHO+DO+CHELSEA+E+AVANCA+AS+SEMIS+DA+CHAMPIONS#video

11/03/2011

Fabuloso está de volta (de onde vem a grana?) e Kleber pede desculpa

Crédito da foto: Site oficial SPFC

Notícia bomba desta sexta-feira de calor em São Paulo.

O centroavante titular da seleção brasileira na última copa, Luis Fabiano, 30 anos, foi recontratado pelo São Paulo F.C. O acordo foi divulgado oficialmente pelo presidente do tricolor paulista, Juvenal Juvêncio e o contrato terá duração de 4 anos. O time do Morumbi pagará ao Sevilla cerca de 7,6 milhoes de euros que serão divididos em quatro anos. O clube diz que parte do dinheiro virá de novos programas sócio-torcedor que o clube deve lançar em breve. Me parece meio estranho que consiga desembolsar tanta grana assim e não me espantarei se, mais adiante, ficar claro que alguma porcentagem dos direitos federativos de algumas jovens promessas foi incluída no negócio.

Trata-se de uma ótima contratação e, provavelmente, o clube terá de se livrar de um de seus atacantes, pois já conta com Dagoberto, Fernandinho, Wilian José, Lucas Gaúcho, Henrique e Fernandão, este último deve o escolhido pela diretoria. Especulações sugerem que será liberado para atuar no rival Palmeiras, que vem procurando um atacante de área como Fernandão, há um bom tempo.

Não sei em que condições fisícas Fabuloso chega. Porém, quando (se precisar) entrar em forma, ele se encaixará como uma luva no veloz ataque são paulino. É ótimo para o futebol brasileiro que jogadores como ele voltem para o país. Tem velocidade, muita força e ótima capacidade de finalização. Um matador. A apresentação do atacante está marcada para o dia 30 de março.



Pelo São Paulo, Luis Fabiano já atuou em 160 jogos e fez 119 gols. Como divulgou na última semana, ele queria voltar ao tricolor para se tornar um dos maiores artilheiros da história do time, já é o 12º na história. Boa sorte.

Gladiador volta atrás

Me parece que Kleber tenha sido instruído por seu empresário Pepe Dioguardi a atacar Felipão, via Twitter, nesta sexta-feira. Os comentários do empresário em sua página, no mesmo Twitter, comprovam. "Toda vez, que o Gladiador, for citado ou criticado, por alguem do clube, publicamente, a resposta virá da mesma maneira. Sempre será assim.", cravou Dioguardi. Kleber foi mal.

Ao final da tarde de hoje, a assessoria de imprensa palmeirense divulgou um video no qual o "Gladiador"se desculpa pela maneira como se posicionou contra Felipão. Veja aqui: http://www.palmeiras.com.br/noticias/2011/03/11/17h26-id4449-depoimento+do+kleber+exclusivo+para+o+torcedor+palmeirense.shtml

Do outro lado da moeda, o técnico palmeirense esbanjou categoria ao por panos quentes na situação constrangedora em que se encontrava. Felipão foi bem.

10/03/2011

Ótimo texto de Tim Vickery, inglês que vive no Brasil

De autoria de Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil:

PONTOS CORRIDOS ASSIM É UMA PIADA

Quando deixei a Inglaterra para tentar a sorte no Brasil, em 1994, o futebol da minha terra nativa gerava pouco interesse por aqui. Passava na TV o jogo de segunda-feira, normalmente com times menores, e assisti-lo era considerada a maior prova imaginável de amor ao futebol.
As coisas mudam, culturas se transformam, o mundo evolui. Dezessete anos mais tarde, a Premier League é referência do sucesso, o grande sonho de consumo de todas as emissoras aqui que transmitem futebol internacional. Claro, diferenças existem. O Brasil não pode e nem deve imitar todos os aspectos do sucesso inglês. Mas, em linhas gerais, há alguns conceitos do outro lado do Atlântico que podem ser úteis nesse momento fascinante que vive o futebol brasileiro.
O primeiro é o valor de uma negociação coletiva dos direitos de transmissão. Basta comparar a Inglaterra com a Espanha. O Real Madrid e o Barcelona ganham fortunas vendendo individualmente – os outros clubes nem tanto. O desequilíbrio é enorme, e o campeonato perde. Antes da temporada atual, na janela de transferências, os clubes espanhóis venderam mais do que compraram. O grande comprador foi o futebol inglês, onde, com mais dinheiro da televisão, até os times menores foram capazes de adicionar qualidade aos seus elencos.
Claro, o Brasil não é a Espanha. Vender os direitos individualmente aqui não representa exatamente o mesmo perigo, por causa do tamanho do país e da quantidade de clubes grandes. Mas há um assunto mais importante do que a venda dos direitos, mais fundamental para o futuro do futebol brasileiro, onde a união dos clubes é essencial – e, neste caso, o exemplo que vem da Inglaterra é perfeito.
Um voto por cada clube, 92 clubes profissionais, e o peso de um Workington Town é igual àquele do Manchester United. Aí, o futebol inglês vivia uma ditadura dos pequenos, com uma divisão de renda entre os 92. Tratava-se de uma estrutura inadequada para os interesses dos clubes que investiam mais e atraíram mais interesse do público. Resultado: em 1992 veio o ponto de partida do sucesso atual. A Primeira Divisão caiu fora para criar a sua própria estrutura – exatamente o desenvolvimento que o futebol brasileiro está precisando agora.
No Brasil, a ditadura dos pequenos é mais nociva ainda. Quem controla os pequenos controla as federações, e quem controla as federações controla a CBF e o calendário. Consequência: os grandes clubes passam meses no início do ano desperdiçando seu tempo e seus recursos jogando contra times sem torcida em campeonatos estaduais que já foram necessários, mas que deixaram de ser há um tempão.
O pior é que os Estaduais matam o início da atração principal, o Brasileirão. Um campeonato de pontos corridos tem que ter uma pausa antes – aí que cresce a magia do torcedor (“este vai ser nosso ano!”). É desta forma que o jogo ganha o poder de um grande evento. A primeira rodada deve ser a maior festa do futebol. Mas o futebol brasileiro adotou os pontos corridos em uma maneira que joga fora a grande vantagem do formato. A bola começa a rolar sem magia nem mistério. O Estadual acabou de terminar. O torcedor já está bem ciente dos defeitos do seu time – que, além do mais, pode ser cheio de reservas na primeira rodada, os jogadores-chave guardados para a fase decisiva da Libertadores ou da Copa do Brasil.
Fazer pontos corridos assim é uma piada de mau gosto, uma aula de incompetência organizacional – causada pela existência dos Estaduais. A estrutura do poder do futebol brasileiro não vai acabar com os Estaduais – seria que nem um peru votando a favor do Natal. Portanto, como aconteceu na Inglaterra, os grandes clubes têm que ter a união para criar uma nova estrutura.

Brigar sobre quem foi o campeão de 1987 é o de menos. O futuro está em jogo.