Durante a visita do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, às obras do Fielzão na manhã de hoje, o presidente licenciado do Corinthians, Andrés Sanchez disse que os jornais não falam a verdade. Mesmo depois de admitir que sua gestão não havia dado a importância necessária às categorias de base, Andrés resolveu distorcer o fato e acusar a imprensa.
Aproveitando a deixa de Rebelo, que parabenizou o clube pela conquista da Copa São Paulo, o ex-presidente do Corinthians disse, em outras palavras, que os jornais mentem.
“Aproveito a oportunidade para dar os parabéns ao Corinthians pela oitava conquista da Copa São Paulo de futebol júnior. Aliás poucos dias depois de os jornais anunciarem que o Corinthians tinha abandonado as divisões de base. Mas o Corinthians mostrou que tem uma divisão de base forte”, disse.
Andrés respondeu: “O que eles [jornais] falam, não é verdade.”
Onde está a hombridade de admitir o que fez e o que falou, Andrés?
Vindo de alguém que anda de braços dados com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não surpreende nem um pouco.
Caro leitor, aqui você encontrará todo tipo de análise, informação e opinião FUTEBOLÍSTICA sobre diversos clubes, jogadores e pessoas ligadas ao esporte, além de jogos nacionais e internacionais. Aproveite e deixe seu comentário.
30/01/2012
10/01/2012
JORNALISTAS COM VISÃO DE EMPRESÁRIO
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| Divulgação/Cruzeiro Esporte Clube |
Durante a semana li milhões de matérias, comentários e colunas sobre futebol. O tópico da vez é a transferência do meia argentino Montillo, do Cruzeiro para o Corinthians.
Concordei com muita coisa que foi dito sobre a qualidade do jogador, um dos melhores meio-campistas, senão o melhor, do Brasil. Porém, algo negativo também chamou minha atenção: a visão de "empresário de jogador" que alguns jornalistas/colunistas/torcedores têm sobre o assunto.
Dizem que o time mineiro deveria vender logo seu melhor jogador para o atual campeão brasileiro, pois ele está prestes de completar 28 anos (faz aniversário no dia 14 de abril) e, talvez a Raposa não tenha outra oportunidade de lucrar com a venda do jogador.
Essa é a visão que toma conta dos brasileiros que se acostumaram a ver seus craques sendo vendidos para outros clubes, principalmente do exterior. Fixou-se a ideia de que jogador bom/excelente/craque será vendido de qualquer forma. Mas a história vem mudando e o caso de Neymar exemplifica isso. Lucas e Leandro Damião também continuam por aí.
Já está na hora de os companheiros de imprensa, torcedores e clubes de futebol passarem a pensar no futebol como um espetáculo de entretenimento. O torcedor que acompanha seu clube quer ver títulos, quer ver seu time campeão. Não quer que seu clube do coração lucre com a venda de seu melhor atleta, ou seja, seu ídolo.
É fato que Montillo faria bem a qualquer equipe no Brasil e, no meu entendimento, no mundo. Mas faz muito melhor aos olhos dos cruzeirenses que têm a chance de vê-lo em campo todos os finais de semana vestindo a camisa azul-celeste.
Fica, Montillo!
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| Juliana Flister/Globoesporte |
QUEM É O AJAX QUE ENFRENTA O PALMEIRAS
O time holandês, que enfrenta o Palmeiras no próximo sábado, às 17h, no Pacaembu, veio completo para o amistoso internacional em território brasileiro.
O Ajax, que é o quarto colocado no Campeonato Holandês, não é mais a potência europeia de outrora, mas possui alguns bons jogadores, que devem chamar a atenção no amistoso.
1- Os meio-campistas:
De Jong - meia de habilidade e criação. Chega bem ao ataque e marca muitos gols.
Eriksen - meia da seleção dinamarquesa, tem bom passe e também atua na faixa de criação do time.
Janssen - meio-campista, capitão da equipe e eleito o melhor jogador do futebol holandês na temporada 2010/11, atuando no Twente.
Enoh - o camaronês dá a sustentação para a zaga do time, atuando como volante. Veio ao Brasil, pois seu país não se classificou para Copa Africana de Nações de 2012.
Nicolas Lodeiro - o meia da seleção uruguaia e ex-Nacional de Montevideo, chegou à equipe na temporada passada e ainda não se firmou no time titular, porém tem boa técnica e habilidade e deve entrar na segunda etapa. O jovem uruguaio já é conhecido dos palmeirenses, pois ajudou sua ex-equipe a bater o Verdão nas quartas de final da Libertadores de 2009.
2- Os atacantes:
Sulejmani - o atacante sérvio tem boa capacidade de finalização, mas atua mais como segundo atacante.
Kolbeinn - jovem finlandês de 21 anos, se destacou na última tempora
da jogando pelo AZ e se transferiu para a atual equipe por 4, 5 milhões de euros.
3- Os defensores:
Van der Wiel - lateral direito vice-campeão do mundo com a seleção holandesa, bom na defesa e no apoio.
Vertonghen - zagueiro belga com boa impulsão e antecipação. Já é especulado nos grandes clubes da Europa.
Alderweireld - jovem zagueiro belga, se destaca pela força física e chutes fortes de fora da área. Desde de 2009 vem sendo convocado para a seleção de seu país.
Ooijer - veterano zagueiro , de 37 anos, que já atuou na seleção laranja e dá o toque de experiência na equipe.
Bruno Silva - outro uruguaio que não é desconhecido para os brasileiros. Zagueiro/lateral, que é reserva na equipe holandesa e já atuou no Internacional de Porto Alegre.
O Ajax atualmente disputa o Campeonato Holandês, a Copa da Holanda (onde joga contra o AZ Alkmaar, partida que foi adiada devido ao incidente entre um torcedor do Ajax, que invadiu o campo para agredir o goleiro do AZ) e a Liga Europa (vai enfrentar o Manchester United na próxima fase).
Após o jogo amistoso do próximo sábado, os "Judeus", como é chamado o Ajax na Holanda, voltam as atenções para o campeonato local onde enfrentam no domingo, dia 22, fora de casa, o AZ Alkmaar, líder do Holandês.
O Ajax, que é o quarto colocado no Campeonato Holandês, não é mais a potência europeia de outrora, mas possui alguns bons jogadores, que devem chamar a atenção no amistoso.
1- Os meio-campistas:
De Jong - meia de habilidade e criação. Chega bem ao ataque e marca muitos gols.
Eriksen - meia da seleção dinamarquesa, tem bom passe e também atua na faixa de criação do time.
Janssen - meio-campista, capitão da equipe e eleito o melhor jogador do futebol holandês na temporada 2010/11, atuando no Twente.
Enoh - o camaronês dá a sustentação para a zaga do time, atuando como volante. Veio ao Brasil, pois seu país não se classificou para Copa Africana de Nações de 2012.
Nicolas Lodeiro - o meia da seleção uruguaia e ex-Nacional de Montevideo, chegou à equipe na temporada passada e ainda não se firmou no time titular, porém tem boa técnica e habilidade e deve entrar na segunda etapa. O jovem uruguaio já é conhecido dos palmeirenses, pois ajudou sua ex-equipe a bater o Verdão nas quartas de final da Libertadores de 2009.
2- Os atacantes:
Sulejmani - o atacante sérvio tem boa capacidade de finalização, mas atua mais como segundo atacante.
Kolbeinn - jovem finlandês de 21 anos, se destacou na última tempora
da jogando pelo AZ e se transferiu para a atual equipe por 4, 5 milhões de euros.
3- Os defensores:
Van der Wiel - lateral direito vice-campeão do mundo com a seleção holandesa, bom na defesa e no apoio.
Vertonghen - zagueiro belga com boa impulsão e antecipação. Já é especulado nos grandes clubes da Europa.
Alderweireld - jovem zagueiro belga, se destaca pela força física e chutes fortes de fora da área. Desde de 2009 vem sendo convocado para a seleção de seu país.
Ooijer - veterano zagueiro , de 37 anos, que já atuou na seleção laranja e dá o toque de experiência na equipe.
Bruno Silva - outro uruguaio que não é desconhecido para os brasileiros. Zagueiro/lateral, que é reserva na equipe holandesa e já atuou no Internacional de Porto Alegre.
O Ajax atualmente disputa o Campeonato Holandês, a Copa da Holanda (onde joga contra o AZ Alkmaar, partida que foi adiada devido ao incidente entre um torcedor do Ajax, que invadiu o campo para agredir o goleiro do AZ) e a Liga Europa (vai enfrentar o Manchester United na próxima fase).
Após o jogo amistoso do próximo sábado, os "Judeus", como é chamado o Ajax na Holanda, voltam as atenções para o campeonato local onde enfrentam no domingo, dia 22, fora de casa, o AZ Alkmaar, líder do Holandês.
08/09/2011
COMO ENTENDER MONTILLO FORA DA SELEÇÃO ARGENTINA?
Foto/crédito: Divulgação
Meia-atacante do Cruzeiro come a bola no Brasileirão, mas não é lembrado em seu país.Não é de hoje que o meio-campista Walter Montillo, 27 anos, é um dos melhores jogadores do Brasil. Desde o último ano, quando se destacou no primeiro semestre atuando pela Universidad do Chile na Libertadores da América, o hermano chamou a atenção e foi contratado pelo time azul de Belo Horizonte.
A partir daquele momento passou a fazer história e foi eleito o melhor meia-direita do Campeonato Brasileiro 2010.
No meu entender, pelo futebol que vem mostrando a cada rodada, Montillo teria lugar em qualquer seleção do mundo. Mas não para Alejandro Sabella, treinador da seleção argentina e muito menos por seus antecessores no cargo, Batista e Maradona.
Nada contra jogadores convocados para o último jogo de nossos vizinhos, o amistoso contra a Nigéria. Nada contra Messi (muito pelo contrário), nem contra Di María ou José Sosa (este último até tenho um pouco contra. Joga no explêndido futebol ucraniano, no Metalist, time de Cleiton Xavier e Taison), mas o cruzeirense não pode ficar fora desse time, que vem sofrendo nas últimas competições oficiais que disputa. Vide a Copa do Mundo da África do Sul, quando caiu de quatro frente aos ótimos alemães e a mais recente Copa América, jogando em casa e dando adeus à competição com um empate com Uruguai no tempo normal, e derrota nos pênaltis.
Foto/crédito: Site do clube
Outro que tem espaço de sobra no selecionado do país vizinho, mas nunca é lembrado, é um meia pouco conhecido no Brasil, mas que foi o melhor jogador do Vélez Sarsfield, semifinalista da última Libertadores, Juan Martínez, de 25 anos. Muito melhor dos que acabaram indo para a Europa nesta janela do meio do ano, Ricardo Alvarez (Internazionale-ITA) e Maximiliano Moralez (Atalanta-ITA). Joga praticamente na mesma posição de Montillo. Vezes armando a equipe, outras chegando à frente para concluir a gol. Ambas com grande qualidade.No setor defensivo, Sabella tem problemas (assunto para outro post), mas no meio de campo não podemos dizer o mesmo.
27/07/2011
Com o dinheiro do povo
Carlos Alberto Sardenberg – O Estado de S.Paulo
Mesmo que a abertura da Copa do Mundo de 2014 não aconteça no estádio do Corinthians, o time paulista já está no lucro. E que lucro! Uma arena novinha em folha, totalmente financiada com dinheiro público, parte emprestada, parte dada. Desde já, é o primeiro dono de um belo legado da Copa.
O Corinthians tinha um terreno em Itaquera – doado pela Prefeitura de São Paulo – e um projeto de estádio, para o qual teria de buscar financiamento privado, como, por exemplo, está fazendo o Palmeiras em seu novo Palestra Itália. Ao se tornar estádio da Copa e, possivelmente, do jogo inaugural, depois de arquitetada a desclassificação do Morumbi, o empreendimento corintiano habilitou-se aos financiamentos e incentivos especiais. Mesmo não sendo a sede da abertura, o dinheiro público será providenciado, pois a nova arena permanecerá como única alternativa de jogos em São Paulo.
Eis como ficou o pacote de R$ 820 milhões para a construção de um estádio de 48 mil lugares, com capacidade para ser ampliado para 68 mil:
o BNDES emprestará R$ 400 milhões – isso, claro, não é dinheiro dado, pois o empréstimo terá de ser pago. Mas os juros são subsidiados e as condições gerais, melhores, por ser obra da Copa;
e a Prefeitura de São Paulo concederá um benefício fiscal de R$ 420 milhões. Isso é praticamente dinheiro dado.
A propósito, cabe aqui uma retificação. Tratamos deste assunto em artigos anteriores, salientando, então, que incentivo fiscal não é doar dinheiro. Como isso ocorreria? O empreendimento será administrado por um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) e construído pela Odebrecht. O incentivo tradicional seria cancelar a cobrança dos impostos municipais (IPTU e ISS) sobre as atividades diretas ali, no canteiro de obras. Por exemplo: a subcontratação de pequenas construtoras não pagaria ISS.
Mas será mais do que isso. A Prefeitura emitirá uma espécie de títulos – Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento – e os entregará para o FII responsável pela construção da arena. Esse fundo poderá vender os certificados para empresas que tenham IPTU e ISS a pagar. Assim, contribuintes que pagariam seus impostos em dinheiro para a Prefeitura vão entregar certificados comprados do fundo.
Por que fariam isso? Porque obviamente vão adquirir os certificados com desconto no mercado financeiro. Assim, um certificado com valor de face de R$ 1 milhão pode sair por, digamos, R$ 900 mil. O fundo “corintiano” embolsa os R$ 900 mil, cash, e a outra empresa abate R$ 1 milhão de ISS e IPTU. A Prefeitura recebe os títulos e os cancela. E deixa de receber cash os R$ 420 milhões. Todo o dinheiro fica para o fundo aplicar no estádio. Sem precisar devolver nada.
Isso não cabe na expressão “dinheiro dado”?
Há, ainda, um problema aqui. Construtora e Corinthians dizem que o estádio sairá por R$ 820 milhões, a serem cobertos pelo financiamento do BNDES e pelos certificados da Prefeitura. Mas como estes serão vendidos com desconto, o fundo construtor receberá por eles algo em torno de R$ 375 milhões, supondo um deságio de 10%. Feitas as contas, faltarão uns R$ 45 milhões para os R$ 820 milhões orçados. De onde virá isso?
Além disso, se for confirmada como o palco do jogo de abertura (com a Seleção Brasileira), a arena corintiana vai receber mais investimento público. O governo paulista vai colocar algo entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões para instalar ali os 20 mil lugares provisórios e, assim, chegar aos 68 mil necessários para um “estádio abertura de Copa”. Como dizem diretores do Corinthians: o timão precisa de um estádio de 48 mil lugares; se a Prefeitura e o governo estadual querem a abertura, têm de pagar por isso.
O governador Alckmin sustenta que o investimento é para obter a abertura da Copa, evento que considera muito positivo para melhorar a imagem mundial de São Paulo. O prefeito Kassab bate na mesma tecla. Ambos acrescentam que o evento trará muita gente e muitos negócios para a cidade.
Será? Começa que essa conta é sempre muito duvidosa. Além disso, o caixa do governo é um só. O dinheiro que se gasta com Copa é subtraído de outras áreas e objetivos. Assim, cabe a questão: o que traz mais benefícios duradouros para o contribuinte-pagador, o evento Copa ou metrô, corredores de ônibus, escolas, hospitais, etc.?
Isso vale para todos os governos estaduais e prefeituras de cidades-sede. Todos colocam cada vez mais dinheiro na Copa.
Políticos e governantes fazem isso alegremente, tendo a certeza de que o povo quer a Copa e vai curti-la. Mas não pode ser assim, tão ligeiro. O certo seria ter colocado a questão claramente ao contribuinte. Assim: “Querem a Copa? O.k., mas é cara. Vai custar tantos bilhões de reais, a maior parte disso virá do governo, ou seja, do seu bolso. E esse dinheiro poderia ir para hospitais e escolas. Tudo bem?”.
Não houve debate. Só se pensou naquilo: ganhar a Copa no Maracanã. E muitos governantes garantiram que não colocariam dinheiro em estádios e obras que não fossem permanentes. Agora, estão invertendo as responsabilidades e os compromissos. E nos dizem: “Não queriam a Copa? Então vamos ter de gastar, e rápido, porque já está atrasado”.
Como se não fossem responsáveis por nada disso.
Todos os países gostam de fazer Copas e Olimpíadas. Alguns fizeram bem feito, outros foram muito mal. Estamos indo pelos maus exemplos. Mas quem sabe o debate ajude a salvar a Olimpíada.
E, para piorar tudo, a Seleção não joga bola. Já pensaram, gastar um dinheirão, gastar mal e ainda perder?
Mesmo que a abertura da Copa do Mundo de 2014 não aconteça no estádio do Corinthians, o time paulista já está no lucro. E que lucro! Uma arena novinha em folha, totalmente financiada com dinheiro público, parte emprestada, parte dada. Desde já, é o primeiro dono de um belo legado da Copa.
O Corinthians tinha um terreno em Itaquera – doado pela Prefeitura de São Paulo – e um projeto de estádio, para o qual teria de buscar financiamento privado, como, por exemplo, está fazendo o Palmeiras em seu novo Palestra Itália. Ao se tornar estádio da Copa e, possivelmente, do jogo inaugural, depois de arquitetada a desclassificação do Morumbi, o empreendimento corintiano habilitou-se aos financiamentos e incentivos especiais. Mesmo não sendo a sede da abertura, o dinheiro público será providenciado, pois a nova arena permanecerá como única alternativa de jogos em São Paulo.
Eis como ficou o pacote de R$ 820 milhões para a construção de um estádio de 48 mil lugares, com capacidade para ser ampliado para 68 mil:
o BNDES emprestará R$ 400 milhões – isso, claro, não é dinheiro dado, pois o empréstimo terá de ser pago. Mas os juros são subsidiados e as condições gerais, melhores, por ser obra da Copa;
e a Prefeitura de São Paulo concederá um benefício fiscal de R$ 420 milhões. Isso é praticamente dinheiro dado.
A propósito, cabe aqui uma retificação. Tratamos deste assunto em artigos anteriores, salientando, então, que incentivo fiscal não é doar dinheiro. Como isso ocorreria? O empreendimento será administrado por um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) e construído pela Odebrecht. O incentivo tradicional seria cancelar a cobrança dos impostos municipais (IPTU e ISS) sobre as atividades diretas ali, no canteiro de obras. Por exemplo: a subcontratação de pequenas construtoras não pagaria ISS.
Mas será mais do que isso. A Prefeitura emitirá uma espécie de títulos – Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento – e os entregará para o FII responsável pela construção da arena. Esse fundo poderá vender os certificados para empresas que tenham IPTU e ISS a pagar. Assim, contribuintes que pagariam seus impostos em dinheiro para a Prefeitura vão entregar certificados comprados do fundo.
Por que fariam isso? Porque obviamente vão adquirir os certificados com desconto no mercado financeiro. Assim, um certificado com valor de face de R$ 1 milhão pode sair por, digamos, R$ 900 mil. O fundo “corintiano” embolsa os R$ 900 mil, cash, e a outra empresa abate R$ 1 milhão de ISS e IPTU. A Prefeitura recebe os títulos e os cancela. E deixa de receber cash os R$ 420 milhões. Todo o dinheiro fica para o fundo aplicar no estádio. Sem precisar devolver nada.
Isso não cabe na expressão “dinheiro dado”?
Há, ainda, um problema aqui. Construtora e Corinthians dizem que o estádio sairá por R$ 820 milhões, a serem cobertos pelo financiamento do BNDES e pelos certificados da Prefeitura. Mas como estes serão vendidos com desconto, o fundo construtor receberá por eles algo em torno de R$ 375 milhões, supondo um deságio de 10%. Feitas as contas, faltarão uns R$ 45 milhões para os R$ 820 milhões orçados. De onde virá isso?
Além disso, se for confirmada como o palco do jogo de abertura (com a Seleção Brasileira), a arena corintiana vai receber mais investimento público. O governo paulista vai colocar algo entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões para instalar ali os 20 mil lugares provisórios e, assim, chegar aos 68 mil necessários para um “estádio abertura de Copa”. Como dizem diretores do Corinthians: o timão precisa de um estádio de 48 mil lugares; se a Prefeitura e o governo estadual querem a abertura, têm de pagar por isso.
O governador Alckmin sustenta que o investimento é para obter a abertura da Copa, evento que considera muito positivo para melhorar a imagem mundial de São Paulo. O prefeito Kassab bate na mesma tecla. Ambos acrescentam que o evento trará muita gente e muitos negócios para a cidade.
Será? Começa que essa conta é sempre muito duvidosa. Além disso, o caixa do governo é um só. O dinheiro que se gasta com Copa é subtraído de outras áreas e objetivos. Assim, cabe a questão: o que traz mais benefícios duradouros para o contribuinte-pagador, o evento Copa ou metrô, corredores de ônibus, escolas, hospitais, etc.?
Isso vale para todos os governos estaduais e prefeituras de cidades-sede. Todos colocam cada vez mais dinheiro na Copa.
Políticos e governantes fazem isso alegremente, tendo a certeza de que o povo quer a Copa e vai curti-la. Mas não pode ser assim, tão ligeiro. O certo seria ter colocado a questão claramente ao contribuinte. Assim: “Querem a Copa? O.k., mas é cara. Vai custar tantos bilhões de reais, a maior parte disso virá do governo, ou seja, do seu bolso. E esse dinheiro poderia ir para hospitais e escolas. Tudo bem?”.
Não houve debate. Só se pensou naquilo: ganhar a Copa no Maracanã. E muitos governantes garantiram que não colocariam dinheiro em estádios e obras que não fossem permanentes. Agora, estão invertendo as responsabilidades e os compromissos. E nos dizem: “Não queriam a Copa? Então vamos ter de gastar, e rápido, porque já está atrasado”.
Como se não fossem responsáveis por nada disso.
Todos os países gostam de fazer Copas e Olimpíadas. Alguns fizeram bem feito, outros foram muito mal. Estamos indo pelos maus exemplos. Mas quem sabe o debate ajude a salvar a Olimpíada.
E, para piorar tudo, a Seleção não joga bola. Já pensaram, gastar um dinheirão, gastar mal e ainda perder?
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